INFARTO
Infarto em homens jovens
Além das causas clássicas, como a obesidade e o fumo, enzimas, proteínas e bactérias podem levar às doenças cardíacas graves precocemente.


Os avanços na descoberta de novos fatores de risco das doenças do coração mostram que ninguém está completamente livre de ter um infarto fulminante. Os médicos vêm identificando que o excesso de algumas substâncias produzidas pelo organismo – entre elas a enzima homocisteína – pode provocar o infarto em homens com idade entre 30 e 40 anos. A previsão também vale para aqueles que seguem o clássico manual dos bons hábitos recomendado pelos cardiologistas (não fumar, seguir uma alimentação saudável, praticar exercícios regularmente e controlar os níveis de colesterol e triglicérides, entre outros cuidados). Dos 400 mil casos de infarto registrados no país em 1999, 40 mil foram fulminantes, de acordo com o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O que é a homocisteína
A homocisteína faz parte do metabolismo de aminoácidos (substâncias obtidas nos alimentos e essenciais para o funcionamento do corpo) e, em excesso no sangue, pode colaborar para a formação de arteriosclerose (endurecimento das artérias maiores e aumento do tecido gorduroso) em qualquer fase da vida. “Da mesma forma que o colesterol, o nível de homocisteína elevado no sangue aumenta a propensão para a doença coronária e pode evoluir para o infarto ou crise de angina (dor provocada por déficit de irrigação sangüínea no músculo cardíaco)”, explica o cardiologista Luiz Antônio Machado César, diretor da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do Incor.

Reduzindo a taxa
O Incor está empenhado em criar um método eficaz para medir e reduzir os níveis da homocisteína no sangue. Uma das possibilidades é recomendar ao paciente maior consumo de ácido fólico e vitamina B6, substâncias encontradas em quantidades elevadas nos cereais de consumo matinal. O cardiologista Luiz Machado identificou recentemente que os níveis de homocisteína são mais altos em portadores da doença coronária. Pelo menos 35% dos indivíduos que já sofreram infarto, ou passaram por tratamento de angina, apresentam taxas mais elevadas da enzima do que os pacientes sem histórico de problemas cardíacos.

Outros vilões
A lipoproteína (LP-a) é outro fator de risco que está sendo estudado pelo Incor. O instituto já descobriu que, assim como a homocisteína, os níveis elevados da lipoproteína, substância encontrada em alimentos ricos em lipídios (laticínios) e proteínas (carnes) contribuem para o infarto. Infecções por bactérias também estão relacionadas às doenças do coração em homens entre 30 e 40 anos.

A bactéria clamídia pneumoniae, causadora da pneumonia, foi detectada nas artérias doentes em pesquisas laboratoriais. Sabe-se que elas se instalam nos depósitos de colesterol que compõem a placa de arteriosclerose, aumentando a inflamação das paredes da artéria e acelerando o processo de infarto. Os especialistas do Incor estão testando outros efeitos da clamídia pneumoniae.

Prevenção e tratamentos
As pesquisas sobre os efeitos nocivos da homocisteína, lipoproteína e da bactéria clamídia pneumoniae estão aceleradas em todo o mundo. No Brasil, a esperança dos médicos é que, nos próximos três anos, os hospitais disponham de tratamentos específicos. “Os avanços na cardiologia andam quase que na mesma velocidade da informática”, conclui o médico Luiz Antônio Machado.

Fonte: Artigos, Salutia