GUIA DO TÊNIS E FREQUECIMENTO

Estabilidade:
:: Estabilidade: os tênis possuem uma boa estabilidade, mas não deixam totalmente de lado o amortecimento. Amortecem o impacto, pelo menos no calcanhar, e sua estrutura procura minimizar o movimento de pronação (veja quadro FIGURA), estabilizando o pé após seu contato com o solo. Geralmente indicado para pronadores(FIGURA).

Controle:

:: Controle de Movimento: a principal característica é limitar o movimento de pronação. Corredores com pronação severa e pronadores moderados vão encontrar modelos adequados nessa categoria. Esses tênis, em geral, são mais indicados para os corredores pesados por serem mais rígidos, mas também podem ser usados por corredores leves. Recentemente, os modelos dessa categoria ganharam melhor amortecimento, sem perder o controle de movimento.

Amortecimento:
:: Amortecimento: está do outro lado do espectro em relação à categoria Controle de Movimento. Tem como principal objetivo amortecer o impacto com o solo. Os supinadores, que normalmente têm o pé mais rígido (e portanto menos eficiente como amortecedor natural), vão encontrar aqui os modelos mais adequados. Corredores de pisada neutra também podem se satisfazer com esse tipo de tênis.

Leveza
:: Leveza: corredores mais leves, que precisam de menos amortecimento, encontram aqui boas alternativas. Os tênis não entram nessa categoria apenas pelo quanto marcam na balança, mas também por sua finalidade: são bons para alternar com o tênis principal, para uso em treinos mais curtos e de velocidade.

Competição.
:: Competição: são mais leves e têm menos amortecimento e estabilidade que um modelo para treino. Para quem não pretende ganhar a vida com o esporte, é melhor evitar a tentação de correr com esses modelos.

Trilha.
:: Trilha: de tênis para correr em trilha uniforme até modelos mais pesados e robustos, para trilhas em que praticamente só é possível andar. Alguns são projetados para provas de aventura, mas cada prova pode precisar de um perfil de calçado diferente.

Na batida certa A IMPORTANCIA DE UM freqüencímetro.
O melhor instrumento para monitorar seu treino bate dentro de seu peito – é o seu coração. É ele que indica se você está correndo forte demais ou de menos. Há algumas décadas, a única maneira de “escutar” o que seu coração dizia era colocar os dedos no pulso ou no pescoço e contar suas batidas. Até que surgiram os freqüencímetros ou monitores de freqüência cardíaca – uma espécie de “tradutor simultâneo” para o que seu coração diz, capaz de “sentir” o seu nível de esforço e informar isso a você, de forma clara e em tempo real.

Emilio Levin, cardiologista especialista em medicina esportiva pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que é importante medir a freqüência cardíaca porque informa qual o esforço que a pessoa fez durante a atividade física. “Medir a freqüência cardíaca proporciona melhor rendimento da atividade física à pessoa e menos risco à saúde”, afirma Levin, que é da equipe médica da Federação Paulista de Atletismo (FPA).

Levin diz que algumas pessoas não conseguem medir a freqüência pelos dedos e aí que está a importância do freqüencímetro. “Para tomar o pulso pelo dedo, é necessário interromper o exercício, além desse método fornecer a média da freqüência, enquanto o freqüencímetro é como um eletrocardiograma, mais preciso”, lembra. O médico também fala que o alerta sonoro sobre a freqüência cardíaca máxima (FCMáx) dá segurança ao atleta durante o exercício.

O treinador Cláudio Castilho, presidente da Associação de Treinadores de Corrida (ATC) e treinador do Esporte Clube Pinheiros, ratifica a avaliação de Levin. Ele conta que a base de seus treinos é em cima da freqüência cardíaca, principalmente entre os atletas amadores. “Antes de iniciar qualquer planilha de treinamento, peço para os atletas realizarem exames para checar o coração e a freqüência cardíaca. É muito importante o atleta interagir com as variações cardíacas e ficar atento às mudanças”, afirma. Castilho também diz que os atletas amadores sempre têm um monitoramento do treino por meio do freqüencímetro.

DESCRIÇAO

Os freqüencímetros possibilitam controlar a freqüência cardíaca segundo a segundo, permitindo um treino mais preciso e eficiente para todos os corredores, independentemente do nível de condicionamento físico. Esses equipamentos são compostos por duas partes: um relógio e uma cinta para ser usada em volta do peito. A cinta possui um transmissor que mede o impulso elétrico gerado em cada batida do coração e transmite essa informação para o relógio, onde a vemos transformada em batimentos por minuto.

Os recursos DOS FREQUENCIMETROS.

Veja aqui os recursos mais comuns e como eles podem ser aplicados à corrida:

Zona Alvo: para manter a freqüência dentro de uma determinada faixa sem ter de ficar olhando o tempo todo para o pulso, é só programar o limite inferior e superior de batimentos. Quando os batimentos saírem desses limites, o relógio “apita”. A maior parte dos freqüencímetros possui este recurso.

Voltas (laps): para quem treina em circuito fechado, este recurso elimina o trabalho de ficar contando o número de voltas (e sempre se esquecer se está na 7a ou 8a). Para quem corre em circuito aberto com marcação de distância, serve para marcar o tempo por quilômetro e monitorar se seu batimento está aumentando porque você está mais rápido ou porque está mais cansado.

Timer: alguns equipamentos têm um, dois ou até três timers, mas a utilização mais comum é a de dois timers, para os treinos intervalados. Num treino de 40 minutos, com 10 repetições de 3 minutos correndo e 1 minuto de trote leve, você pode programar um dos timers para três minutos e outro para um, e ser avisado pelo relógio quando for a hora de acelerar ou diminuir.

Interface com o computador: possibilita criar gráficos com a sua freqüência cardíaca e compará-los com gráficos anteriores.

Baterias: todos os equipamentos têm duas baterias, a do transmissor e a do relógio. O relógio usa uma bateria comum que teoricamente poderia ser trocada por qualquer relojoeiro. Mas a experiência demonstra que o ideal é encaminhar o relógio para uma assistência técnica autorizada, que vai garantir que a vedação da caixa ficará perfeita após a troca. Algumas marcas usam transmissores blindados que impedem a troca da bateria – é preciso substituir o transmissor. Outras marcas desenvolveram transmissores que possibilitam a troca. Os transmissores blindados não apresentam possibilidade de infiltração de água. Por outro lado, a manutenção dos que têm a bateria substituível é mais barata.

Luz interna: alguns modelos não vêm com luz interna, o que pode tornar a tarefa de lê-los uma maratona em si.

Transmissão codificada: a “comunicação” entre o transmissor e o relógio é feita por rádio e está sujeita a interferências. Para impedir que seu equipamento leia os batimentos do seu vizinho de esteira, alguns transmissores são codificados.

Freqüência e cronômetro simultaneamente no visor: em alguns equipamentos é necessário trocar de tela para saber o tempo decorrido ou a freqüência. Não é o fim do mundo, mas requer que o corredor tire a atenção do treino e do percurso por alguns segundos.

Cálculo de calorias: alguns equipamentos, com base no perfil do usuário, estimam o consumo calórico durante o exercício, o que pode ser interessante para quem quer perder peso.

Sensores de ciclismo: permitem que as informações da bike (velocidade e rotações por minuto, por exemplo) também sejam registradas pelo relógio e eventualmente enviadas para o PC

VO2: alguns equipamentos permitem estimar o VO2 máximo. O resultado não tem a precisão de um teste ergoespirométrico, mas tem a vantagem de pode ser aplicado em qualquer lugar.

Outras tecnologias: alguns fabricantes já lançaram monitores cardíacos integrados com monitores de distância, permitindo também o cálculo da distância percorrida e da velocidade. Estes equipamentos, com preços a partir de R$ 1500, começaram timidamente a desembarcar no Brasil em algumas lojas.

AJUSTE SUA FREQÜÊNCIA

Para aproveitar o seu freqüencímetro, você precisa saber qual a sua freqüência cardíaca máxima (FC máx). Ela pode ser aferida de três maneiras:

::Testes de esforço como o ergoespirométrico e o exame de lactato
::Testes de pista: bem aquecido, corra mil metros na maior velocidade que conseguir e verifique sua pulsação assim que terminar. Essa será sua FC Máx.

A partir disso, você pode usar o monitor para manter-se na freqüência ideal para cada situação de treino ou prova. Veja, nas tabelas abaixo, qual a percentagem da FC máx que você deve buscar em cada uma delas:

A freqüência ideal para os treinos
Treinos longos e regenerativos 65 a 75% da FCMáx
Treinos de ritmo 87 a 92% da FCMáx
Treinos intervalados 95 a 100% da FCMáx

A freqüência ideal para as provas
5k 95 a 97% da FCMáx
10k 92 a 94% da FCMáx
Meia maratona 85 a 88% da FCMáx
Maratona 80 a 85% da FCMáx

Revista O2.