DICAS DE PAI PARA FILHO |
| Bom para a criança, uma segurança para os pais Além de trazer diversos benefícios à criança, a corrida permite criar uma relação entre pais e filhos mais próxima. Só o fato de fazer uma corrida em tom de brincadeira proporciona momentos de conversa e de segurança. “Se na infância os pais participam das atividades físicas dos filhos de maneira positiva, mostrando satisfação independente do resultado, farão do esporte um ambiente seguro: as crianças ficam mais próximas dos pais”, afirma Kátia Rubio, psicóloga do esporte e coordenadora do Instituto Sedes Sapentiae. “Pais que estão presentes nas atividades dos filhos têm uma relação mais compreensiva e companheira”, revela a psicóloga. Henrique Fuller, de 12 anos, sempre teve uma vida ativa ao lado do pai, Ricardo. Os fins de semana reservados para passeios de bicicleta e patins em parques públicos estimularam Henrique a freqüentar aulas de natação e tênis. “Mas nem por isso ele deixa de correr um pouco”, afirma Ricardo, que tem o prazer de fazer algumas corridinhas com o filho há um ano. “Gosto muito. E nas provas que vou para ver meu pai correr, é muito legal ficar no meio daquela bagunça toda”, conta Henrique. Crianças gostam de animação e bagunça. Essa é uma boa tática para atraí-las para o esporte. “Houve uma corrida em que o percurso passava em frente de casa. Então chamei meus filhos para fazer um posto d’água para os atletas. Foi um fato tão marcante que eles se lembram até hoje”, conta Haroldo Bonfá, pai de Débora, 12 anos, Rodrigo, 10 anos e Thaís, sete anos, e que corre há 20. De costas para o video game Dando o exemplo e mostrando o lado divertido do exercício,Haroldo conseguiu tirar um pouco os filhos da frente da televisão, do videogame e do computador, que exercem uma atraçåo difícil de superar. O Celafiscs realizou pesquisa com 800 crianças de sete a 18 anos em Ilhabela, no litoral do Estado de São Paulo, e constatou que elas ficam em média 3,5 horas por dia em frente à televisão. “E conseqüentemente, o nível de gordura aumenta”, conclui Matsudo. Recentemente, a Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (Abeso) divulgou que 7% das crianças que moram em Curitiba, no Paraná, são obesas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o sedentarismo um dos principais inimigos da saúde pública. “Ele é o mais prevalente de todos os fatores de risco cardiovascular, de diabetes, hipertensão, obesidade. Por isso, temos de encarar a atividade física como medicina preventiva”, revela Matsudo. E, se você é um corredor, por que não estimular as crianças a correr? Aprenda a correr com seu filho Os pais devem tomar cuidado com a idade de iniciação da corrida. De modo geral, até os 12 anos é recomendado que a corrida seja apenas uma das formas de atividade física das crianças e sempre deve ser feita como uma brincadeira. Elas devem praticar outros esportes também para ganhar coordenação motora e desenvolver habilidades variadas. “O ideal é a criança experimentar uma série de modalidades, pois os gestos esportivos ficam na memória. A partir dos 12 anos, há melhores condições de direcioná-las para modalidades específicas”, afirma Ana Lúcia de Sá Pinto, médica pediatra especializada em medicina esportiva. Para que seu filho não desanime com a corrida, não faça nenhum treino de sua planilha com ele, pois foram feitos especialmente para um adulto. Ou seja, não aproveite seu treino de fim de semana, geralmente o longo, para correr com seus filhos. Eles são treinos monótonos, a criança vai cansar rapidamente e não irá encarar como uma brincadeira. A sugestão então é misturar corrida e caminhada. Ambas devem ser leves a ponto de vocês poderem conversar, interagir com o ambiente, ou seja, fazer dessa atividade uma brincadeira. “É importante que a criança explore o ambiente, veja um passarinho, o sol, aprenda que corrida é um ato bacana e saudável”, aconselha Matsudo. Diversificar a atividade física também é interessante. “Intercalar com um passeio de bicicleta ou patins dá um estímulo a mais”, diz a pediatra. “Não se pode esquecer que, muitas vezes, as crianças já têm uma rotina pesada durante a semana e é ideal que não haja excessos no fim de semana para não deixá-las cansadas”, completa Miguel Sarkis, professor de educação física que tra balhou durante dez anos com crianças e hoje é diretor-técnico da assessoria esportiva que leva seu nome. Cuidados Em qualquer atividade, o aquecimento e o alongamento não podem ser esquecidos. “Todo exercício deve começar devagar, com aquecimento e alongamento, senão a criança entra logo em fadiga”, diz Ana Lúcia. Os dois primeiros minutos devem ser menos intensos para não esgotar o estoque de glicogênio muscular, que é menor nos pequenos. Após esse período, a criança suporta bem a atividade porque utiliza gordura como fonte de energia. É importante também não descuidar da alimentação. “Se seu filho come mal e pratica esportes num volume e intensidade altos,altos, ele pode ter seu crescimento afetado. A energia vai para o esporte e não para o desenvolvimento”, alerta Ana Lúcia. As conseqüências do excesso de exercício são crescimento interrompido, cansaço, desânimo, deficiência de aprendizado, sistema imunológico debilitado e corpo mais suscetível a lesões. A lesão mais comum na criança que corre longas distâncias é a ostiocondrite, uma dor no local em que o tendão se encontra com o osso, geralmente no calcanhar ou no joelho. É uma inflamação que pode atingir a cartilagem e comprometer o crescimento. “Pensando nisso, o Colégio Americano de Medicina Esportiva e a Confederação Americana de Atletismo estabeleceram metragens para o treino de corrida e para a competição de acordo com a faixa-etária", disse Ana Lúcia. O Mal da obrigação A atividade física não deve ser imposta como uma obrigação. “Se for uma obrigação, a criança vai criar uma aversão à modalidade e tenderá a abandonar a prática esportiva”, diz a psicóloga Kátia. Foi o que aconteceu com Nilson Duarte, pai de Felipe. “Eu errei. Empolguei-me quando meu filho tinha 13 anos e tinha ótimos resultados nas competições. Privei-o de sair com seus colegas, de praticar outros esportes”, reconhece. “Quando completou 18 anos, ele não queria mais saber de correr, estava psicologicamente estafado do cotidiano de treinos e competições. Meu erro foi tentar fazer do meu filho o atleta que eu não fui”, completa Nilson. O Comitê Olímpico Norte-Americano constatou que 35% dos atletas que começaram a praticar um esporte de alto nível quando crianças abandonaram a prática na adolescência. Os principais motivos foram: falta de sucesso ou de melhora, falta de diversão, desgosto pelo professor, tédio, lesões e conflito de interesses. O Comitê fez uma pesquisa com nadadores adolescentes e chegou à conclusão que os jovens se mantêm no esporte por elogios e motivação vindos do professor; estar com amigos; sentimento de metas cumpridas; ser parte de um grupo; e fazer atividades variadas. EXERCÍCIOS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA IDADE O CORPO E A CORRIDA Até os 6 anos: A criança nasce com o número de células musculares que terá como adulto. Por volta de seis anos, toda a diferenciação entre fibras lentas e fibras rápidas já foi feita, mas faltam habilidades motoras. O ideal é correr distâncias até 400 metros. Dos 8 aos 10 anos: Dos oito aos 10 anos é a faixa-etária ideal para desenvolver habilidades motoras, ou seja, fazer vários tipos de esporte. A corrida deve ser apenas uma brincadeira de curtas distâncias. Dos 10 aos 12 anos: Nessa faixa-etária, a criança pode começar modalidades específicas. Se ela mostrar interesse, pode treinar de forma mais disciplinada, mas ainda como brincadeira. Dos 13 aos 17 anos: O treinamento pode ser mais intenso, porém não pode perder o caráter lúdico das fases anteriores. As competições não podem gerarpressões psicológicas. A partir de 18 anos: O corpo já pode receber a intensidade dos treinos para adultos. O jovem pode seguir as planilhas de treino de acordo com seu condicionamento físico. Revista O2. |